11 de julho de 2007

Conversa de si para dentro

"Por que me acontece tudo isto?! Se não fosse isto, precisamente isto, tudo se havia de arranjar, de uma vez por todas, de um golpe, hábil, enérgico e firme. Aposto um dedo da mão em como tudo se arranjaria. Tudo se resolvia da maneira seguinte: quanto a isso, eu, por assim dizer...é assim e assim, estou, meu caro senhor, num beco sem saída, se me permite a expressão; as coisas não se fazem assim; pois, meu caro senhor, meu excelentíssimo senhor, as coisas não se fazem assim, e não se consegue nada neste mundo com a usurpação; o usurpador, meu caro senhor, é um homem sem préstimo[...] Está a entender? Está a entender, pergunto eu, excelentíssimo senhor?! Então, por assim dizer, tudo ficaria... Mas não, aliás, que coisa... não ficaria nada, de modo algum... Estou a disparatar, feito parvo! O que digo eu, eu, suicida?"

O Duplo, Fiódor Dostoiévski

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