Uma pequena história
Um importante leão tinha uma ideia metida na cabeça – deixar de ser leão e abandonar a jaula.
Convocou os outros leões para lhes comunicar a decisão e pedir ajuda na escolha do que haveria de passar a ser. Por incrível que pareça, nenhum leão o ajudou, não o compreendiam e não tinham qualquer opinião.
Por fim o leão convocou todos os outros animais com o mesmo propósito.
No final da reunião matou-os todos e foi-se embora transfigurado de...
30 de junho de 2007
28 de junho de 2007
Fumar
Os benefícios do tabaco
Viver sem fumar é como escrever sem pontuação. Pelo menos, para mim. A pequena cerimónia de acender um cigarro marca um "tempo": o princípio do dia, o princípio do trabalho, cada intervalo ou cada distracção, o alívio (ou o prazer) de acabar qualquer coisa, o almoço (quando almoço), o jantar (quando janto), o fim do dia, antes de fechar a luz, como um ponto parágrafo. O cigarro divide, acentua, encoraja, consola. Abre e fecha. É uma estação e uma recapitulação. "Já cheguei aqui. Falta ainda isto, isto e aquilo". Nas poucas vezes que tentei não fumar, tinha um sentimento de desordem, de arbitrariedade, de não saber passar de um frase a outra ou de um capítulo ao capítulo seguinte. Os fumadores, se repararem bem, não fumam ao acaso; fumam com ritmo.O cigarro também é uma companhia. Sobretudo para quem trabalha sozinho. A maior parte das pessoas vai falando, pouco ou muito, durante o trabalho. Por necessidade ou por gozo próprio. Do "serviço" à intriga, há milhares de oportunidades para o grande e simpático exercício de conhecer o próximo: para gostar dele ou para o detestar, para o observar, o comentar ou o intrigar. De porta fechada, à frente de um computador ou de um livro, não há nada à volta. Aí o cigarro ajuda. É um fiel amigo: a pausa que torna o resto tolerável. E que, além disso, recompensa uma boa ideia ou manifesta o entusiasmo ou a execração pelo que se leu. Com quem se pode conversar senão com o cigarro? De certa maneira, o cigarro substitui a humanidade; e não me obriguem a fazer analogias. Mas, principalmente, fumar serve para pensar. Quando, a ler ou a escrever, paro a meio de uma página, porque me perdi num argumento ou não consigo imaginar como se continua, pego num cigarro e penso. Não me levanto, não me agito, não abro a boca, não me distraio. Fumo e procuro com paciência a asneira. O cigarro concentra e acalma. Restabelece, por assim dizer, a normalidade.
E este efeito "normalizador" é com certeza uma das suas maiores virtudes. Não comecei a fumar para ser adulto ou "viril". Comecei a fumar porque sou horrorosamente tímido e porque o cigarro é com certeza a maior defesa dos tímidos. Primeiro, porque ocupa as mãos e simula um arzinho de à-vontade. E, segundo, porque esconde e protege ou cria a ilusão de que esconde e protege. Por detrás de um cigarro, o mundo parece mais seguro. Mesmo se andam por aí a garantir que não.
Vasco Pulido Valente,
in Público, 28/06/07
Publicada por Rous à(s) 13:29 0 comentários
27 de junho de 2007
26 de junho de 2007
25 de junho de 2007
grandir
verdadeiramente, para sugerir.
só isso. isso tudo.
e por isso concentramo-nos...
e mexemo-nos sem ninguém ver (que sorte).
grandir para ele — para nós e vós.
a voz que pARTE a noz.
Publicada por Rous à(s) 18:29 0 comentários
cada uma das duas partes em que se divide o cabelo por meio de risca da testa à nuca
Quantos bandós tens tu?
Publicada por Monda à(s) 15:42 0 comentários
24 de junho de 2007
23 de junho de 2007
Gerry
Realizado por Gus Van Sant
Produzido por Dany Wolf
Escrito por Casey Affleck & Matt Damon & Gus Van Sant
Música de Arvo Pärt
Publicada por Rous à(s) 19:09 0 comentários
22 de junho de 2007
Cinema
Paul Valéry, Citado na revista Film, nº1 - 1957
Publicada por Monda à(s) 23:36 0 comentários
